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Economia – Agricultura

 
Cooperativa Agrícola de Sintra, CRLAgricultura

Filial de Colares
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Produções agrícolas(frutos ou horticulas) Pomar

Almunime Alhimiari na sua obra Kitab Ar-RawdAI-Mitar refere Sintra, uma vila do Andaluz na dependência de Lisboa. Numa breve menção à região sintrense o autor ofereceu, com algum pormenor, o bosquejo das principais produções agrícolas e, pela sua narrativa, pareceu reportar-se ao território de Colares, o qual, até cerca de meados do evo de novecentos, constituiu um dos principais centros frutícolas e hortícolas dos arredores da Capital: «A região de Sintra é uma das regiões onde as maçãs são mais abundantes. Esses frutos atingem uma tal espessura que alguns chegam a ter quatro palmos de circunferência. Acontece o mesmo com as pêras» (1).

Ainda no texto de Alhimiari surge explícita a menção a «um curso de água que se lança no mar e serve para rega das hortas» (2). O curso de água mencionado trata-se, quanto a nós, do rio de Colares, também conhecido por Rio das Maçãs, «por causa das muitas [maçãs] que cahidas das arvores, e misturadas com as aguas apparecem boyando em toda a distancia, por onde se lhe dilataõ as correntes. Até ao mar largo, em muitas leguas, chegaõ aos navegantes a ver estes frutos, e por elles conhecem, que estaõ proximos á terra; porque desta leva o rio ao Oceano aquelles infalliveis sinaes» (3).

 No século XII, no texto comummente atribuído ao cruzado Osbemo, referem-se limões e os férteis pastos onde se reproduziam, fecundadas pelo forte sopro Zephirus, as míticas éguas lusitanas (4). Um documento de 1255 noticia a existência de vinhas no reguengo colarense (5). E no Foral da portagem de Lisboa, documento atribuível ao último quartel do século XIV, consta uma relação das frutas de Sintra, nomeadamente, cerejas, pêssegos, limões, laranjas, ameixas, uvas, cidras, romãs, maçãs e pêras (6). O foral manuelino de Colares menciona, para além destas, outras produções agrícolas: trigo, centeio, cevada, aveia, hortaliça e melões (7).

Cerca de meados do século XVIII, Santa Anna redigiu uma das mais belas e ignotas passagens sobre a abastança do vale de Colares: «As aguas deste gracioso rio são de qualidade tão admiravel, que por onde correm, deixaõ a terra fecundissima de rendosos pomares, compostos de excellentes frutos. Na varzea saõ tantas e taõ bastas as arvores frutiferas nascidas de huma, e outra parte do rio, que em toda ella, na maior força da calma, se acha sem interrupçaõ huma sombra continuada.

 A differença dos frutos (que saõ peras, maçans, marmelos e outros igualmente saborosos) servem de recreaçaõ aos sentidos; dando a conhecer, que os primores da arte, empenhada em concertar hum bellissimo ramalhete, naõ poderia idear outro de tanta fermosura, como nesta varzea de todo o seu frondoso arvoredo lhe fabricou a natureza.

 A experiência mostra, que este valle sustenta a Lisboa de fruta em todo o anno, porque naõ há dia, em que naõ entrem nesta Cidade muitas cargas, assim da que sazonada se colhe no ramo, como da que se poem de guarda para servir em melhor tempo» (8).

Mais tarde, William Beckford, afirmou: «O vale de Colares é para mim uma fonte de perene divertimento e descobri novas e umbrosas veredas que, através de soutos e pomares, nos levam até aos sítios mais verdejantes que pode imaginar-se, onde laranjeiras e loureiros bravos pendem sobre os riachos e deixam cair frutos e flores sobre a corrente das águas (…). Mas o verde-vivo dos limões, as douradas laranjas, a murta em botão e a rica fragância da relva coberta de aromáticas flores de tal modo me excitam a imaginação que chego a julgar-me nos jardins de Hespérides, com o dragão a espiar-me por detrás das árvores. Oh, como eu desejaria ter uma quinta em Colares!» (9).

Os frutos mencionados nos textos acima transcritos seriam já -se não todas as espécies referidas, pelo menos a sua maioria – produzidos na época islamita. Na verdade, parece ter havido nesta região uma continuidade económica, cultural e social, o que nos permite considerar válida a presente suposição e, ainda, porque, na realidade, os solos da várzea ao longo do rio são ricos em água, húmus doces e outros elementos naturais. Tudo isto, aliado às condições climatéricas específicas do território, tomam os terrenos propícios a este tipo de produções (10).

(1) In BORGES COELHO, 1989, I, p. 63.

(2) In BORGES COELHO, 1989, I, p. 63.

(3) SANTA ANNA, 1751, II, p. 84.

(4) In OLIVEIRA/VIEIRA DA SILVA, 1936, pp. 59-60.

(5) Cfr. Chancelaria de D. Afonso III, L. 1, fl. 152v., 2.ª Col, IAN/TT (Espólio Silva Marques/Arquivo Municipal/Arquivo Histórico de Sintra). Subsiste, ainda hoje, o topónimo Reguengo, numa zona localizada entre Colares e Almoçageme.

Será, certamente, um vestígio do antigo Reguengo colarense, cuja memória está guardada numa poesia de cariz popular, dada à estampa no prospecto alusivo à exposição Almoçageme. Uma aldeia da Serra de Sintra -O espaço doméstico, realizada no âmbito das Festividades em Louvor de Nossa Senhora da Graça, Outubro de 1999, da autoria de Acácio da Costa FERNANDES e intitulada Pelos Caminhos de Almoçageme:
«(…) As Regueiras, o Reguengo e o Corvo,
Onde os noivos punham o pé na argola
Os Pisões, Volta do Valbom,
Pedra Firme e Sarrazola. (…)»

(6) Foral da portagem de Lisboa, fls. 27v. e 28. Forais Antigos, m. 2, n.º 3, IAN/TT (Espólio Silva Marques/Arquivo Municipal/Arquivo Histórico de Sintra).

(7) In COSTA, 1976, pp. 119-122.

(8) SANTA ANNA, 1751, II pp. 85-87.

(9) BECKFORD, 1983, p. 152.

(10) Cfr. BOLÉO, 1973, p. 73.

In “Colares”, Dra. Maria Teresa Caetano, edição da C. M. Sintra

A ausência de grandes terrenos planos levou, desde sempre, a que o amanho da terra se fizesse em parcelas arroteadas nos socalcos da Serra e seus vales. Mesmo nas várzeas juntas ao rio ou nos areais, estes mais alargados mas para o cultivo da vinha, a agricultura hortícola e de pomares nunca foram em extensão.

Nos finais dos séc. XIX princípios do de XX, os agricultores da Freguesia, limitados pouco mais que ao trabalho braçal, eram uns autênticos “heróis”: planeavam o que iriam plantar ou semear, amanhavam e fertilizavam as suas terras, acompanhavam a produção, colhiam-na e comercializavam-na nos mercados de Sintra ou de Cascais para onde, individualmente, se dirigiam em carroças ou, em grupo, em galeras, nas primeiras horas da noite.

As frutas dos pomares eram vendidas, ainda não amadurecidas nas árvores, a negociantes que entretanto as colhiam e comercializavam nos principais mercados abastecedores existentes na época.

Na primeira metade do século passado, o limão, a maçã reineta, o pêssego Rosa e o morango, eram os frutos mais característicos desta região.

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